O sedentarismo é comum na vida de 47% dos adultos brasileiros e atinge até 84% dos jovens, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde. O problema afeta a saúde de diferentes formas e altera características da saúde vascular, colocando a vida em risco.
O sedentarismo é um estilo de vida com falta ou pouca atividade física, resultando em baixo gasto energético. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que são necessários no mínimo 150 minutos de exercícios semanais para que uma pessoa não seja considerada pouco ativa e mantenha a saúde.
Em uma sociedade cada vez mais conectada, as pessoas permanecem mais tempo inativas, sentadas para assistir televisão, mexer no celular ou no computador. Essa ação não deve ser considerada normal nem pouco ameaçadora.
Para a saúde vascular, o problema é perigoso pela capacidade de originar condições como a trombose. A trombose foi responsável por 36 mil internações apenas no primeiro semestre de 2025 no Brasil.
A patologia surge a partir da formação de coágulos de sangue nos vasos, levando à obstrução da circulação. É mais comum nos membros inferiores, pela combinação entre falta de movimento e o esforço necessário para o sangue retornar ao coração.
Além da imobilidade prolongada – por hábitos, internações ou viagens longas – outros fatores de risco incluem cirurgias, câncer, diabetes, obesidade, hipertensão, uso de hormônios, gestação, idade avançada, predisposição genética, tabagismo e consumo de álcool.
A trombose é preocupante por seu caráter silencioso, principalmente no início. Após evolução, os indivíduos notam alterações no local, como dores ao caminhar, inchaço, mudança na cor, temperatura e textura da pele.
A patologia também pode levar à embolia pulmonar, muitas vezes fatal. Ela ocorre quando o coágulo se desprende e vai até o pulmão, causando oclusão dos vasos. Os sintomas incluem falta de ar, dor no peito, tosse com ou sem sangue, taquicardia e desmaios.
Outro problema vascular potencializado pelo sedentarismo é a doença aterosclerótica. Trata-se de uma inflamação crônica causada pelo acúmulo de placas de gordura, colesterol e cálcio nas artérias, deixando-as rígidas e estreitas e reduzindo o fluxo sanguíneo. Isso aumenta os riscos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica.
Junto do sedentarismo, o tabagismo, pressão alta, diabetes e dieta inadequada – rica em alimentos gordurosos – aumentam a probabilidade de indivíduos sofrerem com essa condição, que exige mudanças para um estilo de vida mais ativo.
Assim como na trombose, os sintomas da doença aterosclerótica são tardios. Eles incluem dor no peito, falta de ar, tontura, palpitações e dor ou cãibras nas pernas ou braços ao caminhar, variando conforme a artéria atingida.
Em todos os casos, consultar um cirurgião vascular é importante para prevenir o agravamento dos quadros. Os tratamentos são indicados conforme cada paciente, mas a prática de atividade física e o abandono do tabaco são regra em todos eles, para garantir maior qualidade de vida e longevidade.
(*) Josualdo Euzébio Silva, médico cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular
