O Tribunal do Júri de Dourados condenou Marcos Gomes Morais a 29 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por mandar matar três homens para não pagar uma dívida de R$ 70 mil do tráfico de drogas. O julgamento ocorreu após o desmembramento do processo original de Mundo Novo, cidade onde os crimes foram planejados.
A investigação da Polícia Civil apontou que a onda de ataques começou em maio de 2020, quando os credores Eliseu Gregório dos Santos e Wagner Rodrigo Dobler Wesseling, o “Alemão”, cobraram Marcos publicamente em via pública. Para eliminar a dívida, o acusado contratou pistoleiros de Foz do Iguaçu (PR) e planejou a morte dos dois homens.
O primeiro alvo foi Wagner, atraído à casa de Marcos com a falsa promessa de receber um Ford Fusion como pagamento. A vítima foi ao local em uma caminhonete S10 acompanhada da esposa e dos filhos. Ao perceber que o imóvel estava vazio, o motorista deu a volta e, no trajeto, o veículo foi alvo de cinco disparos efetuados pelo executor Leandro Fragoso Robes. Os tiros atingiram apenas a lataria do carro e a família conseguiu fugir para um quartel da Polícia Militar.
Na sequência, Marcos tentou contratar Adriano Feitosa Machado por R$ 15 mil, além de uma moto e uma arma, para que ele assassinasse Wagner e Eliseu. Adriano aceitou um adiantamento de R$ 2 mil, mas desistiu do plano, não devolveu o dinheiro e alertou as vítimas sobre a emboscada. Ao descobrir a traição, Marcos ordenou a morte de Adriano.
Dois pistoleiros interceptaram a vítima e atiraram com uma pistola calibre .45. Adriano entrou em luta corporal com o atirador e conseguiu escapar correndo. O terceiro alvo, Eliseu Gregório dos Santos, acabou sendo executado em um atentado consumado. Ele deixou quatro filhos menores de idade, detalhe que pesou na dosimetria da pena estabelecida pelo magistrado.
Na soma das penas, o juiz fixou 19 anos de reclusão pelo homicídio consumado de Eliseu. Pelas tentativas de homicídio contra Wagner e Adriano, as sanções foram de 5 anos, 5 meses e 25 dias para cada caso. No crime contra Adriano, foi aplicada a redução máxima de dois terços pela tentativa porque os disparos não atingiram o corpo da vítima. Os demais envolvidos denunciados pelo Ministério Público Estadual respondem ao caso em processos correlatos.
O réu, que possui histórico de reincidência e permaneceu foragido durante parte da instrução, teve o direito de recorrer em liberdade negado.
Outros envolvidos
Em julgamento realizado também no Tribunal do Júri de Dourados no dia 22 de novembro de 2024, os executores Cristiano Camilo, de 37 anos, e Leandro Fragoso Robes, de 41 anos, foram condenados pelas execuções encomendadas por Marcos. Somadas, as penas da dupla chegam a 54 anos e 4 meses de prisão em regime fechado pela participação na série de ataques.
Leandro recebeu a maior sanção, fixada em 33 anos e 10 meses de reclusão, enquanto Cristiano foi sentenciado a 20 anos e 6 meses pelos crimes de homicídio qualificado consumado e tentado.
