Durante muito tempo, a acessibilidade foi tratada como um direito a ser consolidado e como adaptação arquitetônica a ser realizada. Rampas, elevadores e normas urbanísticas tornaram-se símbolos de um processo que buscava corrigir conceitos e práticas históricas.
Era como se não existissem pessoas com deficiência e, de repente, elas surgem e se deparam com barreiras físicas por todos os lados. As primeiras políticas de acessibilidade só começaram a surgir a partir dos anos 1960.
Hoje, a acessibilidade arquitetônica, embora não esteja completamente resolvida, já não é a principal preocupação. Como grande parte da vida contemporânea migrou para o ambiente digital, ele também deve ser acessível para todos. Serviços públicos, bancos, educação, comércio e relações sociais estão em plataformas on-line. A exclusão se manifesta por interfaces inacessíveis, aplicativos incompatíveis e sistemas que ignoram a diversidade humana no seu desenho tecnológico.
Foi nesse contexto que foi criado o NIA – Núcleo de Inovação em Acessibilidade do InovaUSP. O objetivo é tratar a acessibilidade não apenas como obrigação legal, mas como um vetor de inovação tecnológica assistiva.
Idealizado por Roseli de Deus Lopes, Arturo Forner Cordero e Cid Torquato, o NIA-InovaUSP pretende servir como hub de ideias e projetos. A proposta é reposicionar a acessibilidade multidimensional como estratégica, usando novas tecnologias como instrumento do processo de inclusão.
Embora o Brasil possua legislação avançada, como a Lei Brasileira de Inclusão, ainda existe distância entre o que está previsto e a prática. Em muitos casos, a acessibilidade é pensada como correção posterior, quando deveria fazer parte de todo o processo de criação.
Segundo os autores, plataformas acessíveis alcançam mais pessoas, ampliam mercados e melhoram a experiência do usuário. O mote do NIA-InovaUSP é unir acessibilidade para inovação e inovação para acessibilidade, como um espaço de articulação interdisciplinar.
O núcleo vai impulsionar o desenvolvimento de recursos inclusivos, interfaces acessíveis e ferramentas adaptativas, incorporando princípios do design universal. A ideia é estruturar um polo de inovação para conectar a universidade com o mercado e a sociedade.
Quando tecnologia e inclusão caminham juntas, não se trata apenas de remover barreiras. Trata-se de não construí-las, imaginando um futuro em que a diversidade humana seja um princípio orientador da inovação.
