O forró tem conquistado cada vez mais espaço na programação noturna e lotado bares ao longo do ano. Em um cenário onde o sertanejo universitário domina a noite, o ritmo mostra sua força com público fiel, bandas ao vivo e aulas de dança. O movimento reúne diferentes gerações e transforma os bares em pontos de encontro.
Wilson Júnior, conhecido como Zazumba, acompanha essa cena há anos. Segundo ele, o público se mantém presente. “Temos um forró desde 2006. Ficamos um tempo afastados e, há 4 anos, estamos com o Ipê de Cerra. Tem um público bem cativo, os eventos são constantes e o ano inteiro tem”, conta.
Para quem está começando, alguns ritmos são mais acessíveis. O xote permite arriscar os primeiros passos com mais tranquilidade. Já o baião é mais agitado e costuma aparecer quando o dançarino ganha mais confiança.
A professora Luisa reserva as sextas-feiras para o forró. “Toda sexta estou no forró. Não perco. Aqui o espaço é bom, tem sempre banda boa. É uma vibe muito familiar, pessoal tranquilo. Dá para dançar, trazer a família, as crianças”, afirma.
Projeto Movimentaê
O projeto cultural Movimentaê ajuda a ampliar essa cena. Em parceria com o Treze Bar, o grupo promove programação todas as sextas-feiras. Lucas Renan, integrante do projeto, explica que a parceria permitiu criar uma identidade própria para os eventos.
A média é de 200 pessoas por semana. A proposta também busca derrubar a barreira de quem quer conhecer um baile, mas não tem companhia. “Aqui pode chegar sozinho. O pessoal vai te chamar para dançar. Não é obrigatório aceitar”, diz Lucas.
Ao longo do mês, as noites contam com bandas de forró ao vivo. Na última sexta-feira do mês, a programação muda com DJ, aulão de forró e intervalo com FitDance. Em 5 de setembro, a previsão é de mais de 10 horas dedicadas ao forró.
Felipe Flores, médico e produtor musical, explica que o sertanejo ainda é forte no espaço, mas o forró trouxe uma proposta diferente. “Temos uma parceria com espaço de dança onde as mulheres são condutoras, então não fica preso nisso, mulheres chamam outras mulheres”, afirma.
Para Matheus Manzano, dono do Treze Bar, receber o projeto combina com a diversidade da casa. “Aqui é underground, é para todos”, resume. O espaço já recebeu de basquete a “globo da morte”, além de eventos de rap. O forró está “bombando”, segundo ele.
Nas noites do Movimentaê, o baile segue até meia-noite. Depois, o bar continua com sua programação habitual. O crescimento desses eventos mostra que o forró vem construindo uma cena própria, com espaço para quem nunca dançou. Entre xotes, baiões e convites para entrar na pista, o ritmo cria um ambiente confortável.
