A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, apresentou alegações finais à 1ª Vara do Tribunal do Júri pedindo sua absolvição. Os advogados Ricardo Machado Filho, Wilton Acosta e Walquiria Moraes alegam que Bernal agiu em legítima defesa após um “mal-entendido”. A peça é a última manifestação antes de o juiz decidir se Bernal será levado a júri popular.
Bernal é acusado de matar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini no dia 24 de março de 2026. O crime ocorreu dentro de um imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, em Campo Grande. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sustenta que o assassinato foi motivado pelo inconformismo de Bernal com a perda da casa, que foi adquirida pela vítima em uma venda da Caixa Econômica Federal.
Para os advogados de Bernal, Mazzini não tinha autorização para entrar no local. A defesa afirma que a casa ainda era residência e escritório do ex-prefeito. A peça cita contas de água e energia, contrato de monitoramento e depoimentos de vizinhos como prova do uso frequente do endereço. “O que de fato ocorreu na data dos fatos foi um trágico mal-entendido”, dizem os advogados.
Segundo a defesa, a confusão começou quando Mazzini foi ao imóvel com um chaveiro, sem mandado judicial. A peça sustenta que a fechadura do portão foi cortada. “A vítima, sem ordem judicial, sem oficial de justiça, sem força policial, sem notificação efetiva ao morador, dirigiu-se ao imóvel (…) com o propósito declarado de tomar posse forçada do bem”, afirma o documento.
Os advogados também citam uma notificação extrajudicial encontrada no carro da vítima. O documento pedia que Bernal desocupasse o imóvel em 30 dias. Para a defesa, isso mostra que Mazzini conhecia o caminho formal para a posse. A peça questiona por que ele teria optado por “invadir a propriedade”.
A defesa alega que Bernal foi avisado pela empresa de segurança sobre alguém mexendo no portão. Ele teria pedido para chamar a polícia. Ao chegar, encontrou o portão violado e reagiu com medo. “O acusado jamais planejou, desejou ou teve a intenção de ceifar a vida de alguém”, sustenta a defesa.
Outro argumento usado é que Bernal se apresentou à polícia após os disparos. Para os advogados, isso é incompatível com a tese de crime planejado. A defesa também contesta a acusação de violação de domicílio, dizendo que Bernal não poderia invadir a própria casa.
Sobre o porte ilegal de arma, os advogados afirmam que o registro estava vencido, o que seria uma irregularidade administrativa, não um crime. Caso o juiz não aceite a absolvição, a defesa pede que Bernal vá a júri sem as qualificadoras de motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, meio cruel e a causa de aumento pela idade de Mazzini, que tinha mais de 60 anos. Agora, o juiz decide se acolhe a tese defensiva ou manda Bernal a júri popular.
