A maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, moradora de Jardim (MS), morreu na manhã desta terça-feira (26) depois de passar mal um dia após realizar um procedimento estético com aplicação de PMMA nos glúteos e na parte posterior das coxas. O procedimento foi feito em uma clínica no bairro Brooklin, zona sul de São Paulo.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a vítima pagou aproximadamente R$ 50 mil pelo procedimento. A reportagem também informou que Roseli retornaria à clínica nesta terça-feira para dar continuidade à aplicação na região do quadril.
A paciente perdeu a consciência dentro de um carro de aplicativo. Ela chegou desacordada ao prédio onde funciona o consultório e não resistiu às tentativas de reanimação feitas pela médica responsável e pelo Samu.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo veículo paulista mostram Roseli chegando ao edifício Brooklin Office, na Avenida Santo Amaro, por volta das 9h08. A vítima aparece inconsciente em uma cadeira de rodas, enquanto duas pessoas ajudam a retirá-la do veículo. Uma delas seria a médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, de 36 anos, responsável pelo procedimento estético realizado no dia anterior.
Na sequência, um homem ajuda a colocar Roseli no chão do hall do prédio. As imagens mostram a médica realizando massagem cardíaca enquanto outras pessoas acompanham a tentativa de socorro. Toda a movimentação dura cerca de três minutos, entre 9h08 e 9h11. Segundo boletim de ocorrência, a morte foi confirmada às 10h05.
A reportagem apurou que Roseli viajou de Mato Grosso do Sul para São Paulo para fazer procedimentos estéticos com a médica, que soma mais de 100 mil seguidores nas redes sociais e divulga atuação em “harmonização glútea”. Conforme relato da filha da vítima à polícia, a mulher começou a sentir dores intensas, mal-estar, coração acelerado e dificuldade para respirar na manhã desta terça, menos de 24 horas depois da aplicação.
A médica informou à polícia que aplicou cerca de 300 mililitros de PMMA, substância usada em procedimentos de preenchimento corporal. Em depoimento, a profissional afirmou que Roseli havia apresentado exames sem alterações antes da intervenção estética.
A investigação também apura outro procedimento feito pela vítima quatro dias antes da morte. Conforme o boletim de ocorrência, Roseli passou por um lifting facial na sexta-feira (22), também realizado pela mesma médica.
A Polícia Civil aguarda laudos do IML para confirmar a causa da morte e verificar se houve relação direta entre a aplicação do PMMA e a parada cardiorrespiratória sofrida pela paciente.
O PMMA é uma substância sintética usada em preenchimentos corporais permanentes. A Anvisa autoriza o uso apenas em situações específicas, com indicação médica e finalidade reparadora. O produto não possui autorização para aumento de volume corporal exclusivamente estético.
Entidades médicas brasileiras fazem restrições ao uso da substância em procedimentos estéticos por causa do risco de complicações graves. Conforme a Folha de S.Paulo, o CFM, a SBD e a SBCP já defenderam à Anvisa a proibição do PMMA para fins estéticos.
Especialistas alertam que aplicações em grandes volumes podem provocar infecções, embolias, deformações permanentes e até morte. Como o preenchimento é definitivo, a retirada da substância também apresenta dificuldade e pode exigir novas cirurgias.
A reportagem tentou contato com a defesa da médica responsável pelo procedimento, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, além de morte suspeita e morte acidental. O caso foi registrado no 27º Distrito Policial, no Campo Belo.
