A 62ª edição da Copa da Madrugada chega à final neste domingo (24), no Rádio Clube, em Campo Grande. O torneio mantém a mistura que o sustenta há décadas: futebol, amizade, rivalidade leve e famílias reunidas à beira do campo. Neste ano, o homenageado é Luiz Ramírez Júnior, sócio há 20 anos, que também entrou em campo na decisão.
Ramírez contou que foi levado ao clube por um amigo e não saiu mais. “O Rádio Clube me acolheu muito bem, como uma família que é, e acabei podendo aqui criar grandes amizades”, afirmou. Ele mora em Campo Grande há 30 anos e diz que boa parte dessa história passou pelos gramados do clube.
Para ele, a emoção da homenagem se mistura ao espírito da competição. “A expectativa é muito grande para a gente fazer uma diversão, na verdade, que isso aqui é uma confraternização de um clube, e que me deixa muito honrado em poder ser homenageado e poder participar da festa final”, disse. Ramírez destacou o tom do campeonato: “com bastante rivalidade, mas sempre entre amigos”.
O homenageado chega à final com um detalhe a mais: foi campeão na última edição que disputou. “A última eu fui campeão, então acho que tem um pronúncio aí para um bicampeonato”, brincou.
A final deste ano ganhou um ingrediente extra. As equipes semifinalistas foram batizadas com nomes de seleções, aproveitando o clima de Copa do Mundo. Segundo o presidente do Rádio Clube, Sidinei Barboza, os times foram formados a partir da classificação e da pontuação dos atletas ao longo das sete rodadas. Nas finais, aparecem nomes como Espanha, França e Brasil.
Sidinei, que jogou pela Espanha na categoria super master, disse que a Copa da Madrugada voltou a cumprir o papel de grande encontro do clube. “O Rádio Clube, mais uma vez, faz uma grande festa para que a Copa da Madrugada, a 62ª, tenha uma final dentro daquilo que sempre foi projetado”, afirmou.
Para o presidente, a edição de 2026 foi um sucesso. Ele classificou a competição como uma das maiores do futebol amador da Capital. “A Copa da Madrugada é, hoje, talvez, o maior campeonato amador da nossa Capital. E está aí, ao longo dos anos, e cada ano que passa é um grande sucesso”, disse.
A presença do presidente em campo também faz parte do ritual. Sidinei explicou que, nas finais do Rádio Clube, é tradição que o presidente jogue por uma equipe e o homenageado por outra. “Faz parte da história do Rádio Clube, o presidente, na final, ele jogar pelo menos meio tempo para uma equipe”, afirmou.
Entre os participantes estava o senador Nelsinho Trad (PSD), que disputou a final pela França. Ele tratou a Copa da Madrugada como uma memória que passa de geração em geração. “Tem gente que participa aqui que já tem 50 anos de Copa da Madrugada. Aquela imagem daquelas crianças junto com o avô faz parte de tudo que é a essência da Copa da Madrugada”, disse.
Nelsinho afirmou que participou de todas as rodadas e entrou na decisão confiante. “Vou fazer hoje a final e vou dizer: o gol do título é do Nelson Trad”, brincou. Questionado sobre a posição em campo, respondeu: “ataque, eu sou igual o Romário. Bobeou, eu guardo”.
Também na França, o deputado estadual Paulo Duarte (PSDB) destacou o peso histórico da competição. Para ele, a Copa da Madrugada é uma das tradições mais fortes do futebol amador em Mato Grosso do Sul. “São 62 edições, é o campeonato mais tradicional que a gente tem aqui no Estado”, afirmou.
Paulo disse que joga a Copa há muitos anos e que o torneio ajuda a manter viva a ligação entre pais, filhos e amigos. “É algo que mistura tradição, família, e essa tradição que é legal, passa de geração para geração. Eu estou jogando ainda, meus filhos estão jogando”, contou. Aos risos, disse que ainda insiste em atuar com a turma mais nova: “estou jogando com a galera de 30, embora já esteja nos 60 a mais aí”.
